O estado de abandono visível do terminal rodoviário Engenheiro Huascar Angelim, na avenida Mário Ypiranga, Zona Centro-Sul, levou comerciantes e funcionários das empresas de transporte intermunicipal a se unirem financeiramente para manterem o local aberto. Desde o final de 2012, o governo do Estado assumiu a administração da rodoviária.
O encarregado de vendas de uma das empresas, Gilmar Silva, 40, conta que a união nasceu devido à necessidade de manter o local com o mínimo de zelo para receber os clientes. “Pagamos pela vigilância e pela limpeza do banheiro, por meio de uma ‘vaquinha’ onde todo mundo contribui como pode”, explicou.
“Ninguém é obrigado a pagar, inclusive tem comerciantes que não pagam por afirmar que isso é obrigação do governo”, completou.
Gilmar Silva afirma ainda que o local recebeu apenas uma reforma superficial para a Copa do Mundo. “Pintaram, passaram um asfalto e melhoraram o problema de goteira, mas essa rodoviária possuiu diversos problemas”, explicou.
Um dos maiores problemas é o acesso de entrada e saída da rodoviária. “Nosso percurso dentro da cidade é maior que dentro da estrada. Atualmente, dependemos da boa vontade dos motoristas para sair da estação, é necessário fazer o retorno no conjunto Eldorado, que pode durar até meia hora. De Presidente Figueiredo até Manaus levamos uma hora e 15 minutos”, explicou.
“Há dois meses estamos com as tubulações cheias de óleo lubrificante queimado, que não vem daqui porque não temos motor estacionário. Esse óleo fica correndo em cima da faixa e está degradando o solo e o meio ambiente, porque isso está indo para o igarapé”, contou Gilmar.
O piso representa outro sufoco. “A rodoviária não tem estrutura para idosos ou cadeirantes, pois tem o piso é cheio de buracos. Já tivemos casos de passageiros que tropeçam e foi necessário chamar o Samu (Serviço de Atendimento Móvel Urgente)”, afirmou.
O trabalhador aproveitou para comparar a rodoviária de Manaus com outras capitais do Brasil. “Tirando Porto Velho (RO), Manaus é única capital que eu conheço onde não há uma rodoviária bem cuidada”, conta. “Esta é uma é rodoviária mal localizada, mal projetada e mal cuidada”, contou.
O comerciante Miguel Filho, 53, explica que a administração antiga da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) deixou muitas salas vazias que poderiam ser melhor aproveitadas. “Acho que podiam oferecer para os comerciantes alugarem e exporem os produtos”, sugeriu. “Eu teria vontade de alugar uma dessas salas que não são usadas”, explicou.
Resposta
Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra) informou que realizou uma manutenção recente na estrutura da rodoviária, com pintura do prédio, pavimentação em concreto da área de embarque e desembarque, lavagem de piso e reparos de banheiros. Além disso, o governo realiza estudos para definir a viabilidade de terceirizar a operação da rodoviária. Segundo a assessoria, as contas de energia e água do terminal são pagas pelo governo.
Por Bruno Graça (equipe EM TEMPO)
Situação de abandono da rodoviária volta à tona
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