Depois da afirmação da presidente Dilma Rousseff, dada no último domingo (10), de que o preço do combustível poderia subir para amenizar quedas no lucro da Petrobras, fontes do governo divulgaram nesta segunda (11) que o ajuste será de pelo menos 5,5% após as eleições gerais de outubro.
A decisão pelo aumento leva em conta o arrefecimento que a inflação deve dar no segundo semestre, a necessidade de fortalecer o caixa da estatal e a regra de elevação anual do preço dos combustíveis.
O diretor de Finanças e Relações com Investidores da Petrobras, Almir Barbassa, disse também na segunda-feira, durante apresentação dos resultados financeiros e operacionais da companhia, que o aumento dos combustíveis é “imprescindível” para que a empresa reduza seu endividamento.
O último reajuste foi autorizado em novembro de 2013. Entretanto, em Manaus, o preço da gasolina já sofreu pelo menos três aumentos somente neste ano. Os consumidores da capital amazonense pagam, em média, R$ 0,10 a mais pelo combustível desde o dia 13 de junho, quando o litro, que antes custava por volta de R$ 3,08 a R$ 3,09, passou para a faixa de R$ 3,18 e R$ 3,19.
O aumento observado em junho na cidade deixou os consumidores manauenses revoltados e os órgãos de defesa do consumidor entraram em ação em busca de motivos que justificassem o reajuste.
Mas, quase dois meses depois da ocorrência, nenhuma justificativa foi dada à sociedade amazonense, que em breve sofrerá com mais um reajuste.
Sobre um possível reajuste no valor dos combustíveis, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Lubrificantes, Álcool e Gás Natural do Estado do Amazonas (Sindicam), disse que no momento tudo é especulação.
“Quando houver confirmação, serão os próprios donos de postos que decidirão os novos valores, pois o sindicato não cuida de preços”, destacou o presidente Luiz Felipe de Moura Pinto.
Por meio da assessoria de imprensa, a Petrobras no Amazonas informou que não houve, este ano, nenhum repasse de aumento no valor da gasolina das refinarias aos donos de postos da cidade. Conforme a empresa, não há previsão de quando haverá reajuste.
Defesa do consumidor
Órgãos de defesa do consumidor do Amazonas não avançam contra falta de explicações sobre último aumento de combustível ocorrido, em junho.
A Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (CDC-Aleam) afirmou que ainda aguarda uma resposta dos empresários sobre o aumento. Mas, caso não haja, a comissão pretende enviar o caso para o Ministério Público do Estado (MPE-AM).
O presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara Municipal de Manaus (Comdec/CMM), vereador Álvaro Campelo, disse que aguarda teor da defesa que empresários apresentam ao Procon Manaus para poder falar sobre o assunto.
A reportagem tentou falar com o presidente do Procon Manaus, Alessandro Cohen, mas não obteve resposta. Em julho, Condec/CMM e Procon aplicaram auto de constatação para empresas explicarem aumento.
O Procon informou que solicitou posicionamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP), mas esta não confirmou se o aumento foi abusivo. Sendo assim, o órgão não pode fazer nada.
Por Silane Souza (Jornal EM TEMPO)
Gasolina deve ficar 5,5% mais cara após as eleições gerais
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