Editor do caderno de Economia do EM TEMPO
A economia do Amazonas perdeu um importante aliado com a morte do ex-governador de Pernambuco e candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos. O discurso em favor da diminuição das desigualdades regionais no país era uma de suas marcas registradas antes mesmo de postular o cargo de chefe da nação.
A simpatia do líder pernambucano com os pleitos amazonenses ficou evidente nas diversas vezes em que o político se posicionou a favor das demandas do Estado, em particular, no que se refere à Zona Franca de Manaus (ZFM).
Foi no primeiro mandato de governo de Eduardo Campos (2007-2010) que o Amazonas deu início ao processo de implantação do entreposto da ZFM no município de Ipojuca, na Região Metropolitana de Recife. Em março deste ano, já no final de seu segundo mandato (2011-2014), ele inaugurou o armazém em um de seus últimos atos antes de deixar o cargo de governador para disputar à Presidência da República.
O entreposto de Ipojuca é responsável hoje por otimizar o escoamento de produtos fabricados no Polo Industrial de Manaus (PIM) para os centros de consumo no Nordeste, além de beneficiar a economia de Pernambuco e dos demais Estados nordestinos.
Particularmente, constatei a familiaridade de Eduardo Campos com as reivindicações econômicas do Amazonas durante o debate com os presidenciáveis realizado pela Confederação Nacional de Indústria (CNI), no último dia 30 de julho, em Brasília. Fui o último jornalista amazonense que entrevistou o então candidato em vida.
Ele era a favor de investimentos não só na ZFM, mas também em outras atividades de desenvolvimento econômico como a piscicultura, por exemplo, ao pregar um “olhar diferenciado” para a Amazônia e sua população ribeirinha, guardiã das riquezas da região. Na ocasião, Eduardo Campos ainda defendeu a reforma tributária e a expansão das relações comerciais brasileiras, em especial, para os países vizinhos da América do Sul, como forma de estimular a economia do país, incluindo a do Amazonas.
Ele chegou a afirmar que enviaria, na primeira semana de governo, caso fosse eleito presidente, a reforma tributária para votação no Congresso Nacional, onde iria “fiscalizar essa votação pessoalmente”. O destino quis que ele não cumprisse essa missão.
A perda de um aliado da economia do Amazonas
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