A onda de assaltos às casas de militares na rua Dalmir Câmara (antiga Brasil) no bairro São Jorge, Zona Oeste, gerou a interdição da via e restrição da passagem de veículos nas últimas semanas.
A medida tem provocado descontentamento e protesto de moradores da área, acostumados a trafegar pelo local.
Nos últimos três anos, foram 23 ocorrências de invasão a domicílio e assaltos a residências registradas pelos militares que moram na localidade.
De acordo com informações repassadas pela assessoria de comunicação da 12º Região Militar, foram oito ocorrências criminais registradas no ano de 2012, nove em 2013 e de janeiro a maio de 2014 foram seis. Após a interdição da rua para veículos, no final de maio deste ano, não foi registradomais nenhum assalto.
Os acessos à quadra onde se localizam as casas dos militares foram interditados por uma cancela, cones e arames farpados. Há também a presença de militares, portando cassetetes e facões próximo às barreiras.
A medida foi possível porque, segundo o órgão, a vila militar do bairro São Jorge é patrimônio da União jurisdicionado ao Exército Brasileiro.
Além disso, o registro do imóvel é da União, também jurisdicionado ao Exército. Ou seja, não são somente as casas dos militares, mas a área toda é patrimônio da União e quem toma conta é o Exército.
A assessoria informou também que somente o tráfego de veículos foi suspenso. Pedestres podem caminhar pela rua livremente. Também não há previsão para liberação da via para a passagem dos veículos.
Equipe técnica
A assessoria de comunicação do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) informou que não foi feita nenhuma solicitação ao órgão para que fosse realizada a interdição. E que será encaminhada uma equipe técnica ao local para verificar a situação.
Já o Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb) explicou que a situação não tem processo formalizado, até o momento, no instituto ou no Manaustrans. Também será enviada uma equipe para fiscalizar a obstrução daquela rua.
A restrição do tráfego de veículos tem contrariado os moradores que utilizam a rua como passagem há anos.
“Moro no conjunto dos bancários há mais de 60 anos e não existia nem vila dos militares naquela época. Agora eles impedem a circulação de veículos porque fecharam 500 metros. Aquilo não é condomínio fechado, nem ninguém esta em guerra”, afirmou o morador Rui da Silva.
Ele explicou que, após a intervenção, tem demorado um tempo maior para chegar em casa. “Com a volta que dou agora, ficou mais de um quilômetro distante”, ressaltou.
O segurança Leonardo Pedroso, 29, também reclamou da obstrução.
“Moro no beco São Pedro e antes eu saía daqui do meu trabalho, pegava a rua Brasil e ia direto para casa. Agora ou tenho que pegar a avenida em frente ao Cigs (Centro de Instrução de Guerra na Selva), que está congestionada no horário de pico, ou tenho que desviar outras ruas do bairro”, encerrou.
Por Ive Rylo (Jornal EM TEMPO)
Onda de assaltos a casas de militares de Manaus faz Exército fechar tráfego em rua do bairro São Jorge
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