Escritor
e empresário
O primeiro livro que li com esse título tratava do possível assassinato de João Paulo 1º numa trama que envolvia a Loja Maçônica P2, o Banco do Vaticano e outras coisas mais. Como nem tudo em um ambiente tido como religioso é feito em nome de Deus, também no Vaticano muita coisa é feita em nome da Política, da Administração e também do lucro. Aproximam-se as eleições e cada dia mais “defensores de Deus” se candidatam a cargos eletivos como se o Onipotente precisasse dos defensores do Seu nome também entre os defensores do estado laico. Toda organização tem seu necessário lado empresarial, na administração das contas como despesas de construção, manutenção, locomoção de seus líderes etc.
Contudo, se tornou um negócio bilionário que não se limita às igrejas e à televisão. Quer conquistar o centro do poder político terreno. Existem alguns pastores e padres ocupando cargos parlamentares e até prefeituras. Não é difícil imaginar o drama de quem precisa participar do toma lá dá cá da política sem perder a consciência como religioso. O que é realmente difícil de ser entendido é aquele que acredita que Deus fez o mundo do nada necessite de um cristão em sua defesa no centro do poder terreno. Há propostas, momentaneamente engavetadas, sobre a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas. Seria a oportunidade de os sectários fazerem seu proselitismo também nas escolas públicas. Ou alguém acha viável ensinar religião para crianças ficando apenas no campo filosófico deixando qualquer doutrina de lado? Se isso chegasse a ser implantado, o resultado poderia ser exatamente o contrário que pretendem seus idealizadores.
Outras correntes religiosas, tidas como de origem demoníaca pelos idealizadores da ideia, deveriam ter forçosamente seu espaço. Possivelmente as crianças, depois de adultas vejam com mais ceticismo o que os pregadores religiosos hoje apresentam como deslumbramento, uma vez que tiveram seu contato com as religiões nas escolas e nada vejam de novo no que é pregado nas ruas, ônibus e até em igrejas. No show business religioso vemos pregadores falando um monte de obviedades com ar muito sério. Quanto mais óbvia for a exposição mais a plateia se sente inteligente porque descobre uma série de “afinidades “ com o que o palestrante diz. A teatralidade faz com que o assistente vibre, embora no dia seguinte não consiga se lembrar exatamente porque se empolgou tanto.
O homem é um todo, e o que aprendeu de ética em seu berço, ele tende a aplicar em toda sua vida. Muitos que se desviam do caminho correto, encontram guarida nas igrejas porque lá são usados como exemplos de conversão. Entre estes há criminosos conhecidos ou outros, que simplesmente ganhavam a vida fazendo aquilo que era moralmente criticável. Assim, de Suzane Von Richthofen, a assassina dos pais até Gretchen, que fazia shows sensuais ou Jece Valadão – de saudosa memória – com suas pornochanchadas todos passam pelas águas do Rio Jordão e são purificados sem questionamentos de seu passado. Tratar da recuperação de pessoas socialmente desgarradas é muito bonito e louvável. Contudo, se até na tradicional Igreja Católica existe politicagem, o que não dizer das neopentecostais, onde algumas apenas praticam o marketing religioso ostensivamente esquecendo-se da base da fé cristã? Ao tentarem levar a “moral cristã” para dentro do parlamento esta já vem coberta pelo limo do que há do mais terreno e distorcido no ensino religioso nas igrejas: o temor de Deus por concorrentes.
Assim como já vimos os assim chamados trabalhadores ascenderem ao poder e levar a distorção do que seja trabalho para lá, também vemos religiosos orando para as câmeras e, por trás delas participando de negociatas que até Deus duvida.
Em nome de Deus
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